O Mundo Espiritual

por Domício Bering Ferreira,

Como todas as pessoas tive, desde minha infância, um passado místico. Freqüentei religiões e grupos de filosofias e doutrinas diversas. Tudo isto foi muito útil e me ajudou a raciocinar, cada vez mais objetivamente, sobre um trabalho mais concretocom relação ao “mundo espiritual”.

Hoje, devo falar sobre o “mundo espiritual”. Usarei o conhecimento concreto que tenho do mesmo. Para tanto me valho do relato de uma das muitas experiências que já tive até hoje, ao participar diretamente do “mundo espiritual”, através do curso Técnica Física para a Conquista da Autoconsciência.

Essa experiência, que eu tive em um apartamento onde morava, situado na QI 12, no Guará I, em Brasília, DF, no ano de 1984, foi, para mim, uma das mais marcantes que vivenciei neste curso que pratico já há cinco anos.


        Eu fazia sempre os exercícios antes de ir me deitar. De madrugada acordei com a sensação de que iria sair da matéria. Relaxei e consegui sair. Saí na posição vertical e fui até ao teto do quarto. Olhei para baixo e observei que estava deitado de lado, de costas para a minha esposa. Esta por sua vez também se encontrava deitada de lado, virada para o berço da nossa filhinha. A nossa filhinha se encontrava na porta de saída para a varanda do nosso quarto. Pude visualizar bem as duas e minha matéria no quarto. Fiquei observando, por algum tempo. Era a primeira vez que conseguia ver minha matéria estando fora dela. Esta era uma das maiores curiosidades que eu tinha desde que havia iniciado a Técnica. A consciência era total, podia ver e raciocinar ao mesmo tempo.
O quarto era pequeno e, após conseguir divisar todo o ambiente, percebi que ali eu já havia satisfeito todas as minhas curiosidades. E resolvi procurar evidências a fim decomprovar minha consciência fora da matéria. Fui até o outro quarto onde dormiam, emum beliche, minhas outras duas filhas. Aproximei-me delas e as olhei bem de perto. Consegui, assim, satisfazer mais uma de minhas curiosidades dentro daquela experiência.

                   Depois de cumprida mais esta etapa, pensei comigo: “Vou até a sala verificar se encontro alguém fora da matéria a fim de podermos conversar”. Imediatamente cheguei lá, mas a mesma se encontrava vazia. Parei por alguns instantes e pensei: “O que é que eu faço agora?” Foi aí que me lembrei de que uma colega que havia ido trabalhar na Arábia Saudita. Estava voando a mais ou menos três metros do de altura a uma velocidade razoável. Havia uma claridade, como se fosse uma manhã ensolarada, e eu podia distinguir o verde das árvores, o amarelo da areia do chão, sentia o ar batendo em meu rosto, causado pela velocidade em que viajava. Sentia também, os galhos das árvores que batiam em mim. Ao perceber os galhos das árvores e o vento em meu rosto, raciocinei: “Como é que eu, sem matéria, posso estar sentindo todas estas sensações?” Mas, apesar de, naquele momento, não entender aquelas sensações, continuei no meu objetivo.

                Logo após cheguei em uma cidade subterrânea e fiz um passeio pela mesma, sempre voando. Pelo que pude perceber, essa cidade era muito antiga, pois suas construções eram bastante rústicas.

                Saí da cidade e fiquei por alguns instantes parado no ar e disse: “Será que minha matéria está precisando de mim? Não! Acho que ela agüenta mais uns quinze minutos”. Continuei minha viagem para a Arábia Saudita até que cheguei em um local com paisagem parecida com as que existem no Egito, próximo das pirâmides, com uma vegetação que parecia serem arbustos, em forma de pequenas moitas ou bolas de capim.

                Fiquei parado, acima do solo, e meio desapontado por não ter conseguido chegar ao meu objetivo, e vi que não iria conseguir naquele momento. Ao saber que não atingiria o meu objetivo, resolvi tomar o caminho de volta. Após voar um pouco, parei e exclamei: “Agora quero ver alguma pessoa!” Uma pessoa apareceu por detrás de um muro, a qual consegui visualizar da cintura para cima, pois a outra metade ficou atrás do muro. E pelo que eu disse logo após, não interessaria vê-la mais, pois estas foram as minhas palavras após ver cumprido o meu desejo: “Tudo bem, já te vi, agora pode ir”.

                    Logo após esta cena continuei o meu caminho de volta, o qual foi bem mais rápido. Aproximei-me do prédio e entrei pela varanda da sala. Fui para o quarto, onde, ao pé da cama, pude verificar o mesmo ambiente que havia visualizado quando da minha primeira saída. Vi minha matéria, minha esposa e a nossa filha menor. Eu sabia que teria que tomar a iniciativa de assumir a matéria, mas estava um pouco indeciso. Foi aí que me lembrei de uma experiência, relatada por uma colega de curso, na qual ela dizia que quando ia assumir a matéria, deitava-se sobre a mesma. Tentava também apertar o interruptor que acendia a lâmpada. Se o seu dedo entrasse no interruptor era porque ela não havia ainda assumido a matéria e assim procurava assumir de novo.

                    Mas, como o interruptor da lâmpada do nosso quarto ficava do outro lado, perto do berço da minha filha, eu pensei: “Tenho que realizar esta tarefa do meu jeito”. Aproximei-me da minha matéria e deitei-me sobre a mesma. Achei que havia assumindo e tentei me levantar. As minhas mão entraram no colchão. Então vi que não havia assumido a matéria ainda. Levantei-me e realizei novamente a mesma operação. Desta vez consegui e pude viver uma experiência fantástica: a passagem da consciência fora da matéria, para a
consciência na matéria.

CONCLUSÃO

Após esta experiência, vivenciada, experimentada e concretamente realizada por mim, a morte deixou de ser, como nos refere a filosofia do Curso, “conseqüência natural do que vive”, e passei a ter, nesse momento, a resposta a estas perguntas:

Existe vida após a morte?
Sim, existe! Pois, fora do meu corpo físico, eu constatei que a matéria é que morre, mas o homem é imortal. Não só é imortal como mantém toda a consciência, movimentase, raciocina, e, mesmo que eu não voltasse a assumir minha matéria, continuaria vivo, raciocinando, movimentando-me e com toda a consciência que hoje tenho, aqui e agora.

“Se existe vida após a morte, como será? Seria um mundo de luz ou de trevas?”

Posso afirmar, sem nenhuma dúvida, que é um mundo de luz e pode ser também um mundo de trevas pois, quando me encontrava voando, em direção ao Oriente, vi perfeitamente a claridade da luz, o verde das árvores, o amarelo da areia sobre a terra e em outras experiências encontrei-me também em completa escuridão.

"Seria este mundo de formas ou não?”
Sim, também posso responder a esta pergunta! No meu deslocamento, fora da matéria, vi os galhos das árvores, vi uma cidade subterrânea, construções rústicas, paisagens, que me lembravam o antigo Egito, vegetação, arbustos em forma de moita e bolas de capim. Vi um muro, atrás do qual estava a pessoa a que me referi. Um mundo de formas, portanto, também é possível. E não só é possível. Quero lembrar aos colegas as próprias palavras de Karran a Bianca: “Somente com a existência do mundo espiritual o mundo material torna-se possível!”

“Será que ao morrer seríamos lançados em um espaço vazio, com luz suave e névoa fina, onde reina a paz eterna? Será que este mundo tem brisa?” Indaga a filosofia da “Técnica”.
Pela experiência que vivi, percebo que esta é também uma realidade, pois fora do meu corpo físico, vi luz, senti a brisa que tocava em meu corpo e meu rosto, e também, meu estado de tranqüilidade, com relação a tudo que existe. Havia uma grande paz e bem estar.

“Será que este mundo seria frio e escuro ou quem sabe até mesmo existia a dor?”

Estas respostas foram para mim muito claras e muito objetivas quando, fora da matéria, senti em minha própria pessoa todas as sensações do mundo físico: o roçar dos galhos, a brisa, o vento, a temperatura ambiente, por onde passei, o medo e a própria dor em outras experiências que tive e também a escuridão, como já relatei.

Por fim, os quesitos filosóficos da “Técnica”, cogitam que: “talvez nada disto exista, e a morte seja o fim de tudo, o esquecimento eterno?”
Nada disto eu quero negar. Não, não negarei nenhuma destas palavras, mas com a certeza objetiva que hoje possuo de todos estes fatos, quero, com o mais genuíno de meus conhecimentos experimentais, dizer que não. Tudo isso existe! A morte, longe de ser o fim de tudo, é o começo de tudo.

O começo de tudo que podemos fazer concretamente, de hoje em diante, porque ela não existe. A matéria ao perecer não atinge a pessoa que, independentemente da matéria, pensa, age, trabalha, aprende, raciocina e, enfim, realiza todos os atos da vida numa clara demonstração de que o “esquecimento eterno” é engano.

No encerramento de todas as perguntas feitas pela filosofia do curso “Técnica Física para a Conquista da Autoconsciência”, é lançada a hipotética conjectura sobre o mundo espiritual: “Quem sabe?”
Eu, e todo aquele que sai consciente da sua matéria, sabemos!