José Bonito
por Benício de Oliveira,
Vi-me, de repente, diante de um homem que eu não conhecia. Travei
com ele o seguinte diálogo:
Benício: Quantas horas você tem aí
cara?
Ele: Mil anos!
Benício: Tomando consciência de estar fora
da matéria pergunta a si mesmo: “Que é isto?!” Depois exclama: - Dois
mil anos! Infinito!
Ele: Diga uma coisa
inteligente.
Benício: .....................
Ele: Diga outra.
Benício: WIT!
Ele: Sorri
Benício: Há coisas feitas
com inteligência e há pessoas inteligentes. – um outro homem aparece e
concorda.
Benício: Você pode inventar uma máquina,
aí você é uma pessoa inteligente.
Então, você precisa publicar um catálogo referente à manutenção da
máquina. Aí é a coisa inteligente. Ambos concordam.
Benício: Como é o teu nome cara?
Ele: Bonito.
Benício: Bonito?
Ele: Sim, José Bonito.
Benício: Você conhece o
Rotilde?
Ele: Ele foi meu colega
de estudo.
Benício: Você foi
seminarista?
Ele: Sim.
Benício: É a primeira vez que alguém, aqui de vocês, me dá o nome certo, porque,
quando eu perguntava, diziam, mas eu sabia que o nome fornecido não era
o verdadeiro. Agora que sei o teu nome, preciso da tua ajuda. Para você
me ajudar nas coisas que faço (referia-me à solução de vários problemas
pessoais) mas, principalmente, nas soluções de problemas do grupo.
Ele: Do grupo... Do grupo
sim... – ele concordou, balançando a cabeça.
Benício: Não é todas as
vezes que saio da matéria que consigo este estado de consciência.
Ele: É verdade.
Benício: Vou precisar de
você, muito. Agora estou tendo uma certeza.
Ele: Mais uma certeza!
Benício: É...
Sinto necessidade de retornar ao corpo, sabendo estar fora da matéria,
apesar da conversa muito agradável e interessante. Estou acompanhado de
um garoto. Quem seria? Tomo a rua, descendo, salto no ar: um salto
mortal, caindo no vácuo. Há uma escuridão momentânea. Fricciono as mãos
e retorno consciente ao corpo. Ao tomar consciência do aspecto físico
do meu quarto, levanto-me e anoto tudo o que aconteceu.
Descrição
da pessoa entrevistada durante a experiência: ligeiramente baixa, de
cor branca, de barba, mas não comprida. Roupas simples. Pessoa alegre e
séria. Local: uma cidade interiorana. Não havia prédios modernos. Uma
casa. Subindo uma rua vejo areia branca e pedras nas ruas. Que cidade
seria aquela? 06h45min.
Conclusão:
Eu tenho a certeza, estou certo disto: de ter a capacidade de sair da
matéria, de sair do meu corpo físico e iniciar o domínio da consciência
fora de meu corpo, sempre que estou disposto a isto. E sempre que estou
bem de saúde, física e psiquicamente; sempre que tenho vontade de
fazer isto desde que possa fazê-lo. Entretanto, não há
como provar, demonstrar a saída da matéria pois se trata de uma
experiência de caráter pessoal. Cada um vivencia, experimenta as suas
próprias sensações e as analisa de acordo com o seu entendimento, cujas
manifestações são tão difíceis de serem descritas na linguagem
usual. Eu penso ser muito difícil – senão impossível – a comprovação
desses fenômenos através de quaisquer processos conhecidos pelo homem.
Não há como estabelecer parâmetros. Eu digo que saio da matéria
porque, em decorrência dos exercícios, estou adquirindo
consciência quando estou fora do meu corpo físico, e trago valiosas
informações: lembranças de locais nos quais, fisicamente, nunca
estive antes; visitas a cidades antigas supermodernas; casas e
ruas coloniais e modernas, rios, matas, estradas, caminhos; engenhos
mecânicos ainda não conhecidos pela moderna tecnologia; foguetes,
naves, estranhas civilizações. Eu digo que saio da matéria porque
freqüentemente tenho tido diálogos com pessoas que, fisicamente, não
conheço. Mantenho diálogos com pessoas amigas, com pessoas que já
perderam a matéria. Digo que saio da matéria porque, fora dela, fora da
matéria, tenho sensações táteis, auditivas, ouço músicas, sinto medo e
alegria. E tenho notado também um aumento de minha capacidade de
raciocinar fora da matéria. Eu sei que estou fora da matéria porque,
estando fora tenho consciência de estar fora. Vejo tudo iluminado e
tudo transcorrendo normalmente. Às vezes, sinto medo de já ter morrido,
de já ter perdido a matéria porque me recordo do meu corpo. Sinto
necessidade de retornar a ele e, finalmente, ter a consciência do
retorno à matéria movimentando o meu corpo físico, respirando fundo,
friccionando as mãos, percebendo a tridimensionalidade do ambiente.
Quando isso acontece, levanto-me e anoto as experiências, entrando
novamente na cronologia do calendário.