Minha primeira saída consciente
por Maria da Aparecida de Oliveira, Bianca,
Minha
primeira experiência aconteceu três meses depois do meu segundo contato
com Karran, pois foi nesse contato que ele me ensinou como fazer
corretamente a série de exercícios que têm por objetivo a saída da
freqüência física e entrada na freqüência extrafísica, ou seja, a saída
consciente do corpo físico e a entrada também consciente no mundo
espiritual.
Estávamos no mês de
abril de 1977. Nessa época eu morava na rua Cândido Benício em
Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Após Karran ter-me ensinado a série de
exercícios, eu me dediquei à sua prática diária, pela manhã ou à noite.
Numa noite do mês de abril eu fui para o quarto mais ou menos às 21
horas. Pus minha filha pequena para dormir e comecei a fazer os
exercícios. Fiz em primeiro lugar o trabalho respiratório, que tem por
objetivo a limpeza da base pulmonar e a energização do corpo. Em
seguida fiz o trabalho de energização glandular. Logo após eu me deitei
para fazer o contato energético entre as glândulas.
Como
o trabalho de ativação de áreas inativas do cérebro exige muita
concentração, entrei então, em um processo de relaxamento espontâneo.
Quando já estava lançando os elos de energia que, como Karran explicou,
propiciam a nossa saída da freqüência física e entrada na freqüência
extrafísica, comecei a sentir o meu corpo duplicando da seguinte
maneira: era como se ele tivesse crescido a ponto de ocupar toda a
cama. Isto era percebido por mim como peso e sensação, como se eu
estivesse dentro de uma bola de ar que fosse se enchendo, e, quanto
maior a pressão, mais eu me sentia comprimida sobre a cama. Junto
com todas estas sensações eu sentia uma outra: era como se um outro eu
flutuasse, pequeno e solto, em cima do meu corpo. Quando isto estava
acontecendo notei que, embora eu percebesse a minha duplicação em forma
de sensação, a consciência era apenas uma. Através dela eu sentia o que
estava acontecendo no meu corpo físico e naquele outro corpo que eu
estava sentindo, pela primeira vez, naquele momento. E essas sensações
proporcionavam um bem estar até então nunca percebido por mim. Também
minha audição estava muito mais aguçada, pois naquele momento comecei a
ouvir sons que antes não notava. Eu ouvia, com clareza, tudo o que as
pessoas do apartamento ao lado conversavam e até mesmo seus passos.
Mas, de repente, e sem motivo aparente, desapareceram todas as
sensações.
Deixei de sentir a duplicidade
do corpo, o peso, e aquela sensação de expansão. A única coisa que
permanecia era a sensibilidade auditiva, mas como eu esperava que todas
as sensações voltassem, continuei a construção dos elos de energia,
lançando-os para fora do meu corpo, até então, para mim, físico.
Continuei com este trabalho durante muito tempo. Mais de uma hora, acho
eu. Eu estava tentando ter de novo aquelas sensações, mas não consegui.
Foi então que comecei a sentir sede. Resolvi parar com tudo o que
estava fazendo para ir à cozinha beber água. A noite estava muito
quente, por isto eu não estava coberta. Rolei, como de costume, para a
beirada da cama. Sentei-me e tentei calçar os chinelos, mas isto não
foi possível porque, sempre que eu colocava os pés nos chinelos e
tentava caminhar, eles permaneciam no mesmo lugar e eu caminhava
descalça. Fiz algumas tentativas para me calçar mas sempre que me
colocava de pé e tentava caminhar os chinelos permaneciam no mesmo
lugar. Pensei que esta falta de domínio era devido ao relaxamento do
qual acabara de sair. Diante disto, decidi ir à cozinha sem os
chinelos, descalça. Caminhei em direção à porta do quarto. Quando
toquei na maçaneta, tive um problema. Eu sentia a temperatura mais
fria, própria do metal, mas eu não tinha força suficiente para girar a
maçaneta. Por isto segurei com as duas mãos e comecei então a fazer
força para girá-la. De repente, minhas mãos se fecharam com a força que
eu fazia. Neste momento fiquei muito surpresa. Apesar de continuar
sentindo a forma da maçaneta, meus dedos se encontraram com a palma da
mão, passando através dela. Enquanto tentava entender o que estava
acontecendo, minha filha se virou no berço, batendo com a perna na
grade. Foi então que eu me virei para ver se ela tinha acordado.
Como seu berço ficava aos pés da minha cama, ao vê-la, via também a
cama. Foi então que vi que “eu” estava em pé junto à porta tentando
abri-la e meu corpo estava deitado como quando eu fazia os exercícios.
Ao observar este fato, lembrei-me das palavras de Karran: “Saia de tua
matéria e verás que tu és a mente que pode ver, que pode sentir,
aprender e raciocinar. Então poderás entender que a matéria é somente
uma parte tua, e não totalmente você”. Naquele momento observei que
estava completamente separada do meu corpo físico e que todos os meus
sentidos estavam comigo, independentemente da matéria. Observei também,
que não havia nenhuma ligação entre mim e o meu corpo físico, ali
deitado, a não ser pelos elos de energia que continuavam saindo do
corpo e flutuando acima dele em forma de cone. Estes elos saíam
pequenos e se abriam à medida que iam se afastando do meu corpo físico.
Foi também nesse momento que me veio a lembrança das coisas que cresci
ouvindo dentro da religião. Coisas como estas: “Não se deve tentar
descobrir os mistérios de Deus” ou “O mundo espiritual é composto de
anjos e demônios”. Esta palavra, demônio, sempre me assustou muito, por
isto comecei a sentir muito medo de que um deles pudesse aparecer
naquele momento. E foi sob o efeito desse medo que eu soltei a maçaneta
da porta e corri para a cama. Nessa noite não sei como entrei no meu
corpo, somente sei que, ao assumir a matéria, tremia tanto de medo que
a cama sacudia. Esta foi minha primeira experiência com a saída da
matéria ensinada por Karran.
Gostaria
de esclarecer para o leitor que, após a prática deste trabalho, sei
pela experiência, que o momento em que me separei de minha matéria não
foi quando rolei para a beirada da cama, mas sim quando deixei de
sentir o peso e a sensação de que estava inflando. Também quero
esclarecer que esta sensação de inflar deve-se ao aumento da percepção
que faz parte do nosso desenvolvimento dentro deste trabalho. Por esta
razão eu pude perceber, naquele momento, a energia que é própria do
corpo físico e a que eu acabara de captar com o trabalho respiratório.