O
amor humano é doação total sem pedir retorno do outro. O amor é a vida
para o outro sem que o outro possa viver para mim. Exemplo: um casal
adotou duas crianças deficientes físicas totais porque sabiam que na
presente vida física essas crianças, jamais, poderiam retribuir o
mínimo que fosse desse amor. Só assim o casal teria certeza de que
amariam com amor humano sem retorno, pois o objetivo da adoção era amar
como ser humano total, sem sequer pensar no retorno desse amor. Mas,
quem disse que isso não foi feito? Pois, o casal julgava que pelo fato
de as duas pessoas serem deficientes físicas, não seriam capazes nem de
amar. Mas o casal nunca foi tão amado, pelo ato de acolher aquelas duas
pessoas, e pelas duas pessoas foi amado.
Amar é viver pelo
outro sem que o outro viva por mim. É pensar sem ser pensado. É querer
sem ser querido. É dar sem receber. É fazer sem que lhe seja feito. É
ir sem retornar. É ver sem ser visto. É sair sem voltar. É estar sem
esperar que alguém esteja. É ser tudo quando nada existe. É ser feliz
com os felizes. É ser infeliz com os infelizes. É chorar com os que
choram. É rir com os que riem. É ir com os que vão. É voltar com os que
voltam. É estar com os que estão. É ser com os que são. É, enfim,
fundir-se com o outro, porque o outro sou eu e eu sou o outro.
O
amor é vida e vida é amor. É amar sendo odiado. É nunca odiar porque só
existe o amor. É notar sem ser notado. É fazer quando ninguém faz. É
deixar de fazer quando o fazer prejudica. É compreender sem ser
compreendido. É viver sem nunca morrer, porque morrer é deixar de amar.
Já que quem não ama não vive. É perdoar sem ser perdoado. É acolher sem
ser acolhido. É saber como se não soubesse. É não saber quando o saber
agride. É ter com os que têm. É não ter com os que não têm. É existir
com os que existem. É o outro ser tudo para mim, mesmo quando eu sou
nada para outro. É mostrar, se mostrar constrói. É esconder, se
esconder ajuda.
O retorno do amor está na grandiosidade do
ato de amar. Se pudéssemos comparar o amor com a chama de uma vela que
acende outra, veríamos que quanto mais doa, maior se torna pela própria
doação. Não é o outro que me retorna o amor é o próprio amor que se
retorna a si mesmo naquele que ama.
Existe o “sim” e não o
“não”. Existe a luz e não a escuridão. Existe o ser e não o nada.
Existe a vida e não a morte. Existe o amor e não o ódio.
A
plenitude do ser humano se encerra nestas três palavras: beleza,
verdade e amor. A beleza para o universo. A verdade para a mente. O
amor para a vontade.
O amor convence e arrasta sem impor e
sem magoar. O amor convence, o amor apóia, o amor eleva. A linguagem do
amor é a compreensão e o perdão.
O amor é coletivo. Eu amo
porque existe o outro para ser amado. O outro é motivo do amor. A
dimensão do amor é o infinito e a sua duração é a eternidade.
O amor é consciente. Não há amor sem consciência. Não há consciência
sem amor.
Viver
o amor é proclamá-lo. Falar do amor é ocultá-lo. A duração da vida não
está na existência da matéria física, está na dimensão do amor, porque
viver é amar e amar é viver.